quarta-feira, 15 de maio de 2024

Quadro na Parede

 

Nem perdido nem achado
O amor emoldurado pelo tempo
Vidro cinzento empoeirado

Na parede pintada de cal
Lembrança banal e tímida
Última memória finda
Da dádiva do apaixonado

Para que minha memória não falhe
E o amor em seu entalhe
Faça em mim sua escultura

Pintei no peito, na mesma altura
De outros privilegiados,
O amor, esse astuto
Pecado dos dias modernos,
Para que tenha neste inferno
Um templo em seu tributo

Pablo Vinícius de Oliveira
14/12/2023

 

Posso lembrar de você toda hora
Jogar meus discos fora
Mas a você não dedico mais
Nenhuma canção de amor
Seja como for
Meus discos de MPB
As canções bregas
Aquele refrão que pega
Das músicas chatas
Dos sertanejos de agora
Não é da boca pra fora
Você não merece que eu roa
A dose de cachaça que me amaldiçoa
Que queima a garganta na fogueira
Debaixo da mangueira
Nunca mais choro por você
Pode me esquecer
Se é que já não esqueceu
Meu coração não será teu
Você não tem hora
E meus poemas de amor
Sem dor, você ignora


Pablo Vinícius de Oliveira
28/04/2023

Todo vazio no meu peito
Predicado sem sujeito
E sujeito sem paixão
Não há amor no vagão
Do metrô superlotado
No ônibus desativado
Da cidade esburacada
Borboleta encontrada
No estômago nenhuma
Não há lógica alguma
Sem que esteja apaixonada
 
 
Amar demais não é crime
Amor de menos oprime
A beleza de ser vista
A magia do alquimista
O encanto boêmio dos bares
Faço reza nos altares
Para o amor me tomar
Mas quem deveria achar
Perdido amor não sou eu?
Pobre coração ateu
Tão cansado de esperar


Pablo Vinícius de Oliveira
17/04/2023