sábado, 30 de abril de 2016

desamor

que deságue
longe de nós
os desastres
que o desinteresse
nunca nos ache
e nós dois juntos
queira o destino
desde menino
ou das vistas
de encontros e desencontros
e de se encontrar
que não tenha despedida
para que desta vida
a gente leve
o que há de melhor
num e no outro
um ao outro

no futuro nós, destinados
e o desamor restrito ao passado


Pablo Vinícius de Oliveira
07/04/2016

domingo, 14 de fevereiro de 2016

sede

quando me desce nua
umedece a roupa
a boca
e se estende
o que não se veste

norte, sul, leste, oeste
dos teus lençois 
planícies inundadas
e montes a explorar
a sós

num único sol
pelos
rios
e águas

e boca seca e sede
que eu saiba o que beber


Pablo Vinicius de Oliveira
14/02/2015

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rabiscos LIII

me entreti em Neruda
sabendo que cada palavra
escrita para Matilde, tão bem amada
eram cópias das que eu escreveria para você

Pablo Vinícius de Oliveira
11/02/2016

vinho, me leva

me embebedo do vinho
e tomo você a cada gole
a cada vez que viro a taça
e a tua boca me falta

e tuas palavras nas minhas
me falta, me falta teu olhar aqui
como se o mundo fosse acabar
falta tuas mãos sobre mim

em pele e osso
minha carne consumida
em sua carne
dentro desse mundo
só nós

e os laços
mãos e braços que me tocam
os abraços
só os teus
é corpo e alma

o desejo, meu sonho
 – me leva



Pablo Vinícius de Oliveira
03/02/2016
livrei minha solidão
da dura tarefa de existir
solidão tem sempre
vontade de partir

quando te espero aqui
ela parece que volta
no zumbido do vento
ou na folha que cai

só parece, pois logo desaparece
qualquer vestígio de estar só
é só despertar teus passos
na mira dos meus olhos

e desencadear em mim
qualquer coisa de felicidade
qualquer coisa de caminhar junto
qualquer coisa de ter teus olhos
na mira e mirando os meus.


Pablo Vinícius de Oliveira
22/01/2016

Rabiscos LII

no mundo líquido
me fiz de mar
e você em mim deságua.

Pablo Vinícius de Oliveira
07/11/2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

se tudo é liquido eu sou mar

quando inventaram de inventar a pós modernidade
e decidiram que a sós viveria o homem

logo foi dito que tudo era líquido sem doce
feito apenas de começo e fim, sem meio para durar

um punhado de lembranças diversas
que não valem a pena lembrar

inventei de inventar que sou teimoso
feito no efêmero me fiz sem pressa

na chuva incansável do líquido que é o mundo
me cobri de espaços e abri os braços

para que pudesse nos conter e contive
aqueles seus olhos sobre mim

mas se parece que nada é eterno mesmo enquanto dure
e a liquidez nas mãos ninguém guarda

me fiz de mar e você se fez de lar
e a gente se mora, se h(á mar)



Pablo Vinícius de Oliveira
02/11/2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

caminhos

tantos são os destinos
daqueles que levantam e saem de casa
uns vão a lua, outros viram a rua
outros tantos vão a lugar nenhum
poucos viajam o mundo
muito poucos viajam no próprio mundo
na frente o horizonte, o lugar para chegar
algo belo para ver

em todos os caminhos
sempre sou feliz se o destino é sua casa
todos os caminhos são belos quando o fim
são teus olhos sobre mim
meus olhos sobre os teus
minha mão a contornar teus montes
e banhar-me no teu rio
tudo é primavera
se os pássaros voam do teu sorrir



Pablo Vinícius de Oliveira
15/10/2015

[sem título]

você que é do ar
incendeia a mim
que sou de fogo

assim fomos
apenas sozinhos
juntos somos
nós, há mar.


Pablo Vinícius de Oliveira
23/09/2015

Quando ela acorda pela manhã...

quando ela acorda pela manhã
me levanta apressada
na cozinha logo faz o meu café
me chama depressa
porque o tempo não espera

deixe-a só, apenas isso
durma apenas ao teu lado.

e quando amanhece
toco seu corpo
com a ponta dos dedos
ela me sorrir e me beija

eu tenho medo
eu acho que nunca fui bom o bastante
mas ela me faz querer ser melhor

eu sou apenas um menino acuado
mas estou a um passo das estrelas.


Pablo Vinícius de Oliveira
21/09/2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

eu era pobre de alma...

nada tinha, nada era, e nada esperava
tudo era do acaso e pare ele
nada era meu, nem a vontade 
o presente era um fardo
o futuro? o que viesse
e o passado, para ser esquecido
meus planos eram o tanto faz

até que o teu sorriso encheu
de sentido os verbos que me moviam


Pablo Vinícius de Oliveira
15/09/2015

sábado, 12 de setembro de 2015

se teus beijos me calam a boca...

e gritar talvez seja mais um apelo
que a expressão extrema da vontade
se quando caminhamos em direção ao céu
sussurrar é nossa maneira de dizer ao outro
tudo aquilo que em nós transborda a alma
guardo as três palavras que me movem
para que sejam ditas ajoelhadas
aos pés dos teus ouvidos.


Pablo Vinícius de Oliveira
13/08/2015

guardo por perto...

o vinho que bebo no peito
e o gosto do desejo
que sinto do fundo
do teu mar
e de longe sinto o cheiro
te descubro e ele me domina
uma Iemanjá que me chama
pulo sete ondas e mergulho
sem ar eu me afogo
tua boca me salva
ouço o som das tuas ondas
soarem no meus ouvidos
a noite é muito curta
e a maré é alta.


Pablo Vinícius de Oliveira
18/07/2015