10 de novembro
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
A fábrica e seus patrões
Os aviões e seus estados
Parem os homens armados
E todos os seus conflitos
Diga a ela que eu fico
Para nunca mais ir embora
Nada do que há lá fora
É tão bom quanto aqui dentro
A vida agora é um vento
De amor a toda hora
Que rufem os tambores
E a vida tenha as cores
Mais belas que existem
E que os homens conquistem
Tudo que sempre buscaram
As flores não mais murcharam
Desde que eu a encontrei
E confesso presenciei
Cada dia coisas mais belas
Pois estar ao lado dela
É tudo que sempre sonhei.
12 de maio
Ando Sorrindo
Como se tivesse ganhado na Mega-Sena
Como se não tivesse problema
Como se o mundo fosse um gol
Do Brasil na final da copa
Como quem topa com a felicidade
Ando pensando em ti
Um menino com seu brinquedo novo
Como se o mundo fosse bom pro povo
E seu batom ainda estivesse na minha pele
Ando sorrindo por aí
E as paredes agora tem obras de arte
É como se tudo fosse parte
de antidepressivos poderosos
Ando sorrindo
Como se todo dia fosse o quinto dia útil
Como se meu salário desse pro mês inteiro
Ando sorrindo
Ando por aí sorrindo.
16 de junho
quarta-feira, 15 de maio de 2024
Quadro na Parede
Nem perdido
nem achado
O amor emoldurado pelo tempo
Vidro cinzento
empoeirado
Na parede pintada de cal
Lembrança banal e
tímida
Última memória finda
Da dádiva do apaixonado
Para
que minha memória não falhe
E o amor em seu entalhe
Faça em
mim sua escultura
Pintei no peito, na mesma altura
De
outros privilegiados,
O amor, esse astuto
Pecado dos dias
modernos,
Para que tenha neste inferno
Um templo em seu
tributo
Posso
lembrar de você toda hora
Jogar meus discos fora
Mas a você
não dedico mais
Nenhuma canção de amor
Seja como for
Meus
discos de MPB
As canções bregas
Aquele refrão que pega
Das
músicas chatas
Dos sertanejos de agora
Não é da boca pra
fora
Você não merece que eu roa
A dose de cachaça que me
amaldiçoa
Que queima a garganta na fogueira
Debaixo da
mangueira
Nunca mais choro por você
Pode me esquecer
Se
é que já não esqueceu
Meu coração não será teu
Você
não tem hora
E meus poemas de amor
Sem dor, você ignora
Todo vazio no meu peito
Predicado sem sujeito
E sujeito sem paixão
Não há amor no vagão
Do metrô superlotado
No ônibus desativado
Da cidade esburacada
Borboleta encontrada
No estômago nenhuma
Não há lógica alguma
Sem que esteja apaixonada
Amar demais não é crime
Amor de menos oprime
A beleza de ser vista
A magia do alquimista
O encanto boêmio dos bares
Faço reza nos altares
Para o amor me tomar
Mas quem deveria achar
Perdido amor não sou eu?
Pobre coração ateu
Tão cansado de esperar
Pablo Vinícius de Oliveira17/04/2023
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
sei que posso nunca mais te encontrar
nunca mais perder meus pensamentos
enquanto me perco nos teus
sei que posso nunca mais ouvir a tua voz
como um sopro de vida
como a brisa fria da manhã que me afaga
sei que posso nunca mais olhar teus olhos
olhar tão de perto que não poderia mais os ver
olhar tão de perto que precisaria
fechar os meus para te ver tão inteira
talvez a vida não nos permita se encontrar novamente
e o lirismo sofra mais um duro golpe
como aconteceu em 2016 e em 2018
mas como seria bom se assim não fosse
como seria bom se o nosso reencontro
fosse o inicio da revolução
20/09/2021
Pablo Vinícius de Oliveira
domingo, 21 de março de 2021
a palavra falada
bate forte como um touro
indomável, no erro do seu algoz
na brecha do medo
na brecha da segurança
a palavra falada é uma criança
cheia de verdades inconvenientes
e difíceis de engolir
a palavra falada é urgente
é gigante, bate de frente
derruba quem enfrenta
levanta quem a ouve
a palavra falada é o caos
é a ordem dos astros
é tão perigosa quanto
é hoje um ônibus lotado
tão perigosa como
a revolta de um povo
Pablo Vinícius de Oliveira – 21/03/2021
Alecrim
um ramo de alecrim no chá
um ônibus a atravessar a cidade
ou essa cidade a atravessar meu peito
uma bala de hortelã que atravessa
o canteiro da rua 1h da tarde
tudo vai fluindo, ninguém pode parar
quando o sinal fecha
se abre onde se cruza
e os olharem se entrelaçam
se perdendo depois na multidão
é alegria e alecrim
e a gente vivendo atravessando o caos
Pablo Vinícius de Oliveira
21/03/2021
Fim
tão logo não haverá mais gente
nem vidente, nem servente
nem quem sirva de vítima
nem quem vitimize a dor
daqui pra frente não haverá doente
morto em acidente
mente por ter fome
quem fomente ficar
não haverá clima
nem rima
nem poeta
tão logo tudo lhe será alheio
não haverá vida
só restará dinheiro.
Pablo Vinícius de Oliveira
12/03/2021
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
a mente oca um buraco na rua
que não enxerga mais as coisas boas
nem a vida que passa igual ônibus
deixando o povo na parada
abanando a mão como quem dá tchau
e o mundo batendo na gente
com galho de urtiga e sal
o presidente diz não posso fazer nada
o país em brasa está quebrado
de verme ninguém mais morre
só de fome sem ar de sangue condensado
e daí é domingo o vizinho grita gooolll
todo mundo comemora
enxuga as lágrimas e bota a cara pra fora
está tudo normal onde não devia estar
Pablo Vinícius de Oliveira
06/02/2021
domingo, 2 de agosto de 2020
o sertão que habita em mim
na pele seca
nos lábios rachados
o semiárido do meu corpo
magro, esquio
a fome, a sede
o sol escaldante castigando
a pele, o pelo, a paz
a estiagem carregada
pela memória fraca
pelo corpo curvado
a minha boca seca
do árido sertão
tudo se encheu de inverno
se desmanchou em água
e se derramou sobre nossos corpos
como uma nuvem carregada
de trovoadas, raios e relâmpagos
e tua luz, e tua energia
me encheram de vida
como se o sertão fosse
banhado pelas chuvas
e cada espaço em mim
foi tomado pela sua água
como um açude que enche e sangra
como uma barragem que transborda
Pablo Vinícius de Oliveira
11/06/2018