quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Para o próximo adeus

A todo momento
as pessoas se despedem

se encontram
e desencontram

cada tchau do desencontro
tem um pouco de adeus

os navios das despedidas
atracam no porto da vida
os tchaus do até logo
carregam sempre 

um pouco do nunca mais

a cada partida
esperamos que se perpetue 

a possibilidade
de termos mais uma vez
o próximo adeus
Pablo Vinícius de Oliveira
10/12/2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Rabiscos XXXVII

Para os amores de segunda
O sono e a preguiça de acordar cedo
Para os amores de sexta
Os desejos, as vontades e a embriaguez 


Pablo Vinícius de Oliveira
09/12/2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Rabiscos XXXVI

estou com sensação de morte
dentro de mim algo explode
vivo uma guerra
e agora sofro um ataque

– fuja, fuja...
tento
minha caixa torácica me prende.

Pablo Vinícius de Oliveira
08/12/2014

Rabiscos XXXV

da minha dor
nem eu sei
eu não guardo
mas ela se guarda
no meu peito
vazio


Pablo Vinícius de Oliveira
08/12/2014

Rabiscos XXXIV

Na medida das eternidades
O teu silêncio
Eu não tive como medir no tempo


Pablo Vinícius de Oliveira
07/12/2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O álcool e a tua lembrança

Embriago-me para te escrever um poema
O álcool potencializa o meu sentimento
Que sem poder se alimentar
Tende a morrer desnutrido

Transcendo a realidade
E tento encontrar um mundo distante
Quanto mais as garrafas se esvaziam 
Mais teu nome surge por entre as coisas

O bar é meu lugar de lembranças
Eu bebo para não te esquecer
Para ter por quem escrever
Para encontrar a paz que eu não tenho


Pablo Vinicius de Oliveira
04/12/2014 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A invasão do castelo

De minha vida
Fiz um castelo
Com uma muralha enorme
E um fosso para dificultar a entrada
Pus uma torre em cada extremidade

Assim me vi protegido
Não era possível que alguém
Sem que tivesse minha autorização
Pudesse invadir aquele local

Sendo assim, descansei

Veio você, enquanto caminhava
E com uma mera distração
Invadiu meu reino

E mesmo se dragões eu tivesse
Nada poderia ter feito

Você sem jeito me olhou
Desculpou-se
Eu já não tinha o que fazer

Quis partir
Pedi que me levasse junto

Eu já não tinha um reino
Tinha o mundo inteiro

Neste dia a praia e o mar
Foram pequenos para nós

Não existe defesa forte o suficiente
Quando não se tem inimigo


Pablo Vinícius de Oliveira
03/12/2014

quando me encontrarem...

entenderão que fui saudade
vontade e falta

aqueles que me viram
ignoraram
quem mais além de mim
pode se interessar?

da saudade sou praticante assíduo
das ausências eu conheço tudo
até as faltas mais graves

dos espaços  
eu tenho um coração vazio
quilômetros de terras devastadas
latifúndios inteiros

nada me invade
a não ser meu próprio pensamento
o próprio estado de ausência

a barba cresce
para que alguma coisa fique
e mude
nessa falta toda

e assim como o sentimento de falta
esta poesia não tem começo
muito menos terá um fim


Pablo Vinícius de Oliveira
03/12/2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rabiscos XXXIII

Escrevemos para matar nas palavras
algo que nos mata
Escrevo porque tenho necessidade
de não morrer.


Pablo Vinícius de Oliveira
01/12/2014

Rabiscos XXXII

Parei de procurar o amor
Hoje em dia procuro apenas o teu sorriso
Acho que eles se parecem

Pablo Vinícius de Oliveira
01/12/2014

sábado, 29 de novembro de 2014

Uma lembrança lírica

Caminhávamos pela estrada de terra batida e pedregulhos
Você olhava os bichos e as plantas ainda verdes
Eu apenas te olhava

O Sol era claro, pouco menos do que nossos olhos poderiam resistir
Os sons eram cânticos, a natureza se fazia presente sem maiores ressentimentos
Pouco se ouvia do som da cidade, um ruído ao longe, um murmuro trago pelo vento

Era manhã de sábado, e deveríamos ter acordado com o sol em fúria
Mas subvertemos as vontades do sono e da preguiça e pulamos logo cedo
O dia ainda estava frio, ainda assim não teve quem te segurasse

Naquela hora o astro rei já se impunha soberano
Mesmo assim você pedalava lenta, desatenta do caminho
E atenta demais pelo que se passava em volta

Uma verdadeira desbravadora oriunda do litoral em pleno semiárido
Mesmo com o sol radiante o dia estava apenas começando
Os pássaros ainda cantavam e teus olhos eram câmeras fotográficas, nada escapava

Você viu a água que acumulada das poucas chuvas dava uma cara nova àquele ambiente
Parou, desceu, correu, eu te acompanhava como um pai que cuida do filho extasiado
Nunca vi tanta energia numa pessoa que não tinha mais 10 anos, mais que o dobro, diria

Rapidamente você apanhava as pedrinhas do chão e as arremessava na água
E ficava ali a observar o ricocheteado delas pela superfície da água até afundarem
Duas, três vezes, era puro encanto infantil na descoberta das coisas simples

Enquanto eu te observava sentado sobre o lajedo à sombra de grandes árvores
Você me chamava para te olhar de perto e eu apressado atendia ao teu pedido
Não havia como negar o pedido para observar de perto o encantamento

Contudo, eu acordei, olhei dos lados e daquela história ficou apenas minha vontade
Eu acordava na cidade litorânea, o seu paradeiro eu desconhecia
Não dormi mais, aquela lembrança me perturbou o dia todo

Eu só conseguia questionar o tempo: quando tão bela lembrança
Iria fazer parte de minha vida como um acontecimento lírico
Em plena modernidade do séc. XXI?


Pablo Vinícius de Oliveira
29/11/2014

Rabiscos XXXI

Sobre as coisas eternas:
Guardei-te em meus versos

Pablo Vinícius de Oliveira
29/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A violência de um silêncio

O silêncio é o vazio
É difícil pensar o vazio como algo
O vazio do silêncio pode ser muita coisa
Uma das principais é ser violento

O mundo todo procura 43 estudantes desaparecidos
O Governo Mexicano silencia
Neste silêncio estão presentes
Tudo que foi praticado contra os desaparecidos
E a conveniência assassina do governo
Para este silêncio a voz indignada das ruas

O som de uma explosão nuclear
Atinge 480 km de distancia
O quão devastador não é essa explosão?
Mas penso no silêncio depois dela
Em todas as vozes que foram caladas
E na eternidade que este silêncio se tornou
Imagino a única voz que não silenciou dizendo:
“Meu Deus, o que foi que nós fizemos?”

O filho que olha para o pai
E na pura inocência pede aquilo que não tem
 – Pai, estou com fome!
Não há nada mais para ser dito entre os dois
Neste silêncio ouço apenas o choro interno
De uma alma incapaz

O silêncio poético das palavras que se calam nas folhas de um caderno
O silencio das inúmeras tentativas de se conversar
A eternidade entre o “oi” e a resposta
O silêncio da voz e o barulho ensurdecedor de um coração
O silêncio da falta das palavras, das minhas e das suas.


Pablo Vinícius de Oliveira
26/11/2014