segunda-feira, 11 de maio de 2015

Uma rosa nunca é só uma rosa

Uma rosa nunca é só uma rosa
não se ela é dada por um poeta
e principalmente se quem a recebe
for toda poesia
Ela carrega em suas pétalas vermelhas
o que não é dito por palavras
as entrelinhas do poema
o que é expresso no olhar
quando os olhos se cruzam
A rosa é o sentido dos astros
talvez numa destas estrelas seja teu lar
por isso deito sob a noite
a ver a constelação do teu sorriso
meu contrato de responsabilidade
e minha volta garantida
já que criamos laços em nós

Uma rosa nunca é só uma rosa
não quando o poeta a dar a sua musa.



Pablo Vinícius de Oliveira
10/05/2015

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Exagero

Se com você fui só exagero
é porque é isso que sei ser de melhor

exagerado

talvez abrisse oceanos
se isso poderes fosse

mas tudo que consigo abrir
é uma porta quando não esqueço a chave
ou meu coração afoito e louco
para você fazer morada

contudo, perdoe-me a insensatez
o desequilíbrio que me faz cair da vida
os passos tortos que dei
no caminho de te encontrar

perdoe este jovem que não aprendeu a sentir

mas que quis dizer aos ventos
que achou motivo para sorrir


Pablo Vinícius de Oliveira
05/05/2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Desvendar

Quando meu corpo atinge o verão
É sinal de que próximo estou
De lavar minhas mãos
Em tuas nascentes

De lá por entre as tuas clareiras
Eu mesmo traço o caminho do rio
Contando de norte a sul as terras que desvendo

Atravesso as pontes
E dos teus montes
Vejo o céu do desejo

No final de minha jornada
Quando no ápice do caminho percorrido
Eu encontro os sons da volúpia

Em um momento divino
Meus dedos contornam os limites do céu e da terra
Tocando como que de perto
Os horizontes das terras descobertas


Pablo Vinícius de Oliveira
30/04/2015

O mar não descansa.

Há mar
e ele não tira folga
é um trabalhador sem férias
imensidão incansável
constante ir e vir

Teus olhos
são imensidão sem fim
são faróis a beira mar a brilhar
e chamam e direcionam
o meu olhar na tua
direção  

Se há mar
ele não cansa
me pega e balança
me joga de lá para cá
o barco em que navego
ancorei no teu sorriso
e fiz morada

foi nas tuas ondas
que perdi minha direção
na infinitude do mar dos teus olhos
eu mergulhei de antemão

não precisei voltar
de ninguém para ser salvo
e se o mar gigante não descansa
por que eu na minha insignificância
tiraria meus olhos do infinito
dos teus?


Pablo Vinícius de Oliveira
Albéria Claudino
25/04/2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Rabiscos XLVII

O papel agora está parado
converso com você
e tenho a impressão de ter escrito
centenas de poesias.


Pablo Vinícius de Oliveira
21/04/2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Ilustração - Rabiscos XXXII


Rabiscos XLVI

Pensei que grande era a eternidade
dos dois dias que fiquei sem falar com você

Contudo, percebi que não tive eternidade maior
que as duas horas que ficamos juntos.


Pablo Vinícius de Oliveira
17/04/2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

[sem título]

Na rua das flores
perto do marco da liberdade
um jovem pobre e negro
é amarrado a um poste e espancado

- Mata o marginal!!!
grita o homem de bem
ao abrir o vidro do seu carro importado
para saber o que é este aglomerado de gente

O pobre jovem negro
roubara um celular
era como ele tentava compensar
a infância, a vida, a paz
que lhe roubaram antes de nascer

Do outro lado da cidade
10 mil pessoa descem a avenida
que dá na praia dos amores
numa manifestação pacífica
eles pedem a volta do medo

Sinto-me culpado
onde estava eu quando
por votação expressiva
o congresso legalizou o ódio?


Pablo Vinícius de Oliveira
13/04/2014

sábado, 4 de abril de 2015

Rabiscos XLV

Dos sotaques das coisas
Gosto daqueles que falam
Com o coração


Pablo Vinícius de Oliveira
28/03/2015

Rabiscos XLIV

Vendo nas feirinhas
cadernos artesanais
feitos com todos papeis que fiz


Pablo Vinícius de Oliveira
13/03/2015

Rabiscos XLIII

O ego das pessoas é tão grande
que elas simplesmente ignoram as outras
quando entram nos ônibus.


Pablo Vinícius de Oliveira
13/03/2015

[sem título]

Disseram a mim
que poetas passavam por baixo
de  outros poetas ou por cima

Pensei os poetas como ponte e rio
me levam de um lado para o outro
possibilidade
me jogo nos poetas
eles me levam
só(u)rrio


Pablo Vinícius de Oliveira
13/03/2015

Felizmente

Achei por muito tempo
Que a vida fosse feita de infelizmentes
Só lamentava as oportunidades perdidas

O principio da ação que não tive
E as palavras que não tirei da boca
Nem pronunciei

Poderia ter sido tanta coisa
Além do pouco que sou

Onde estaria eu agora
Se tivesse feito tudo aquilo
Que não fiz?

Talvez não estivesse nos teus braços
Como estou agora

Ah, menina, como fui feliz nas escolhas.


Pablo Vinícius de Oliveira
09/03/2015