"Todos os dias deveriam ser do amor. Simplesmente. Num mundo atualmente tão violento, o que custa amar? Custa um sorriso, custa um abraço, custa um carinho. Vai encarar? ♥ "
Já encarei, Musicoteca.
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domingo, 8 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Cézanne, Mont Sainte Victoire, eu e as imagens.
As imagens nos falam, e
só resta a nós sair do mundo humano, construído, e deixar que as imagens nos
questionem. Isso mesmo, que elas também nos observem e que elas também nos
falem. É preciso deixar que cada momento seja único, cada minuto apreciado,
inspirado, expirado, respirado, conversado.
Cézanne pensava que ao
pintar era preciso esquecer todo o resto. Há um minuto do mundo que passa e
esse deveria ser pintado, dizia Cézanne. Devemos dar à imagem aquilo que vemos,
mas quase nunca isso é possível, sempre quando olhamos a imagem milhares de
pensamentos tomam a nossa cabeça. Uma meditação sobre o mundo que nos cerca nos
é revelado a cada parada que fazemos para contempla-la.
Mas antes de tudo,
sabemos que não podemos mais fugir disso, é essa a realidade que nos rodeia,
não nos permite mais sermos inocentes, nunca, já nascemos com a obrigação de
saber, de conhecer. Não podemos pintar a imagem como ela é, por que não podemos
ser ignorantes por que queremos, não podemos ignorar todo o mundo em que
vivemos.
Toda imagem é uma forma
de mostrar o que se tem em frente aos olhos, ou mesmo o que construímos em
nossas cabeças. Mas é antes, expressar o que sentimos, e a realidade que
vivemos. Expor no visível o que nos transborda no peito. Não importa que seja
na pintura, nos desenhos ou mesmo na fotografia. Em qualquer imagem sempre
estará lá o reflexo dos momentos e acontecimentos, dos sentimentos,
inspirações, expirações e respirações.
E precisamos sempre
esperar que tudo isso que é posto nas imagens nos faça sentido. Que paremos e
repensemos nosso mundo, nossa realidade e nossa historia, é preciso sempre
reconstruir, ou mesmo construir o novo a partir das imagens que vemos a todo o
instante, mas principalmente aquelas que paramos por pelo menos um minuto para
observar.
Mas é necessário antes
que entendamos que não só nós que estamos a observar. Elas também nos olham.
Quantas vezes já nos percebemos como observados pelas imagens que nos cercam?
Quantas vezes foram as imagens que falaram a nós?
Merleau-Ponty nos
falava isso quando tratava de Paul Cézanne. Há quem imagine que seria obsessão
de Cézanne com o Mont Sainte Victoire, o qual ele pintou cerca de sessenta
vezes. Ponty entendia de outra maneira. Ele dizia: é a montanha que, desde lá
longe, se faz ver ao pintor. Era essa montanha a quem Cézanne incansavelmente questionava.
Era ela que fazia ele a ver. Ela o chamava, falava com ele, e ele a interrogava
a cada minuto. O que a faria dela visível montanha?
O que tanto aquela
imagem transpassava Cézanne? O pintor deve ser transpassado pelo mundo, pois
este é o mundo que fala ao pintor, e este deve estar de ouvidos apostos sempre
para ouvir tudo o que o mundo e as imagens estão a lhe dizer, e assim
questiona-las, e construir sua historia.
Merleau-Ponty
completava que já não sabemos quem é que vê e quem é visto. É como um fluxo,
inspiração e expiração do ser, respiração no ser. Diz Ponty que a ação e a
paixão estão pouco discerníveis que já não sabemos quem vê e quem é visto, quem
pinta e quem é pintado. É o próprio pintor que está ali naquela imagem, quando
pinta não pinta só o mundo, pinta sua historia e ele mesmo.
Assim também era
Cézanne, que não pintava apenas o Mont Victoire, pintava ele mesmo, e todas os
seus questionamentos e aquilo que a própria imagem, o próprio monte o
questionava.
E aqui também me ponho
a pensar se a fotografia não é também a superação da imagem capturada pela
lente, para algo que fala e que estava a nos observar. Aqui me lembro de uma
serie de fotos que fiz do pequeno sitio do meu avô. Assim como Cézanne algo me
chamava atenção na serra que fica ao sul daquele lugar, ela me falava e me
questiona algo. E nesta serie de fotos em muitas ela se fazia presente, como um
elemento que não poderia faltar, mesmo que em segundo plano.
O que aquela imagem me
falava? Não tenho certeza. Mas algo nela me atraia, me chamava. E talvez assim
como nas pinturas, eu não fotografasse apenas aquela imagem que me falava, eu
fotografasse eu mesmo, a minha história, todos os questionamentos que ela me
fazia sempre que eu parava para observa-la, a minha vontade incontrolável de
estar naquele lugar, no sitio de meu avô, talvez fosse pra ouvir aquilo que aquela
serra me dizia, para olhá-la, para ter inspiração e expiração do ser,
respiração no ser.
Logo quando
compartilhei uma dessas fotografias com amigos, uma comentou: Essa serra aí
atrás faz parte da minha história, desde a infância eu olho pra ela do terreiro
da minha casa. E eu percebi que ela não fala só a mim, que ela fala a todos
aqueles que pararam para observá-la.
Esta imagem de Cézanne
me trouxe a tona que eu também tenho uma serra que me fala, que me ajuda a
construir minha história, e não só a minha. E eu me coloco agora a me
perguntar: de que maneira seria aquela serra se, assim como Cézanne que pintava
a sua montanha da maneira que ela aparecia para ele, eu fosse pintar a serra
que parecia para mim? Que espaço aquela imagem, que desde a minha infância eu
obsevo, ocuparia na minha pintura?
Só tenho a dizer que as
imagens nos falam, nos questionam, que elas nos inspiram e expiram, que elas
nos fazem respirar. Nos resta observá-las e permitir que elas nos falem.
Pablo Vinícius
de Oliveira Albuquerque.
Fotos: Pablo Vinicius de Oliveira.
Referencias:
RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. In: Questão de Crítica: revista eletrônica
de críticas e estudos teatrais. Trad. Daniele Avila. 10 mai. 2008. Disponível
em: .
Acesso em: 11 nov. 2013 às 01h05min.
MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o espírito.
São Paulo, Cosac & Naify, 2004.
DE LIMA, João Tiago Pedroso. Maurice Merleau-Ponty, Paul Cézanne e o Problema da Essência da Pintura. Disponível em: <http://www.uc.pt/fluc/dfci/publicacoes/maurice_merleau>. Acessado em: 26 de Nov. 2013 às 09h00min.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Poema da hora que lhe encontro
Desculpa, moça
É que não enxergo mais ninguém
Para além ou aquém de você
E isso é ganhar meu dia.
Faço uma revolução em mim
Todas as vezes que lhe vejo
Se meu coração bate forte
Será que ainda posso lhe ver outra vez?
Esquecer o mundo com você
É melhor que relembrar a infância.
Dizem que as coisas acontecem em vão
Mas tudo sempre tende a evolução
O que evolui em nós?
Pablo Vinicius de Oliveira
31/10/2013
domingo, 17 de junho de 2012
Chorar em público revela mulher superior
![]() |
Anna Karina no filme
"Viver a vida
|
Eis
mais uma, entre as tantas, vantagens das fêmeas sobre os marmanjos: a coragem,
o destemor, a arte de chorar em público.
Se o choro vem, as mulheres não congelam as
lágrimas, como os moços, esses moços, pobres moços…
Não guardam as lágrimas para depois, como nós,
que sempre adiamos as cachoeiras interiores, não levam as lágrimas para
derramar escondidos na alcova.
Pior ainda é o homem que não chora nunca. Além
de fazer mal ao coração, esse tipo não merece muita confiança.
As mulheres não, falo da maioria das fêmeas,
desabam em qualquer canto e hora. Se estão mal de amor, choram na firma, no
escritório mesmo, na fábrica, choram no trânsito, choram no metrô, simplesmente
desabam.
Como invejo as lágrimas sinceras das moças.
Quantas vezes a gente não se preserva, por
fraqueza, enquanto as lágrimas, em queda d´água, batem forte no peito machista
e viram apenas pedras do gelo do uísque.
Como invejo as mulheres que misturam sim o
trabalho com o drama furioso da existência.
Desconfio da frieza profissional, das icebergs
de tailleur, que imitam os piores homens e guardam tudo para molhar o
travesseiro solitário numa noite de inverno.
Ora, as mulheres podem ser infinitamente
poderosas, administrarem plataformas de petróleo nos mares e chorarem um
atlântico diante de uma indelicadeza da vida.
Lindas e comoventes as mulheres que choram em
público, nas ruas, nos cafés, nos bares, nos restaurantes, no táxi. São antes
de tudo umas fortes. Tristes dos que estranham ou ficam envergonhados com o
mais verdadeiro dos choros.
Triste dos que acham que não levam a sério, que
tratam como sintomas da TPM e chiliques do gênero, que fracasso. Ora, até mesmo
os choros de varejo, não importam as causas, são comoventes. Chorar engrandece.
Fazer amor depois de lágrimas, então, é sentir o
sal da existência, romanticamente, sem medo de ser ridículo ou cafona.
Acabei de testemunhar uma dessas lindas e
corajosas moças, chorava no metrô da avenida Paulista.
Por que chorava aquela moça?
A moça não escondia os soluços do choro. Terá
discutido a relação, a velha D.R., à boca da estação Paraíso? Veste roupa de
trabalho sério, e chora.
Daqui a pouco estará sentada na sua cadeira de
secretária, exímia, bilíngue, a serviço da grana “que ergue e destrói coisas
belas”.
Teria levado um pé-na-bunda, um fora? Teria
visto o casamento pelo binóculo do titio Nelson Rodrigues? Perdoa-me por me
traíres?
A moça que chorava sabia que o amor é como o metrô na avenida Paulista: começa no
Paraíso e termina na Consolação.
Xico
Sá.
24/02/2012.
Fonte: xicosa.blogfolha.uol.com.br/
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Vale a pena?
Rodrigo Bico - Vale a Pena
“Vale a
pena viver, quando se é comunista”.
(Antonio
Gramsci)
Quando
a noite parece eterna
e o
frio nos quebra a alma.
Quando
a vida se perde por nada
e o
futuro não passa de uma promessa.
Nos
perguntamos: vale a pena?
Quando
a classe parece morta
e a
luta é só uma lembrança.
Quando
os amigos e as amigas se vão
e os
abraços se fazem distância.
Nos
perguntamos: Vale a pena?
Quando
a história se torna farsa
e
outubro não é mais que um mês.
Quando
a memória já nos falta
e maio
se transforma em festa.
Nos
perguntamos: vale a pena?
Mas,
quando entre camaradas nos encontramos
e
ousamos sonhar futuros.
Quando
a teoria nos aclara a vista
e com o
povo, ombro a ombro, marchamos.
Respondemos:
vale a pena viver,
quando
se é comunista.
Mauro Iasi.
Mau
sábado, 2 de junho de 2012
Neguinho
Interprete:
Gal Costa.
Composição:
Caetano Veloso.
Neguinho
não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê
Neguinho nem quer saber
O que afinal define a vida de neguinho
Neguinho nem quer saber
O que afinal define a vida de neguinho
Neguinho
compra o jornal, neguinho fura o sinal
Nem bem nem mal, prazer
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?
Nem bem nem mal, prazer
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?
(Refrão)
Se o
nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país
Só pensa em se dar bem - neguinho também se acha
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz
Neguinho também só quer saber de filme em shopping
Só pensa em se dar bem - neguinho também se acha
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz
Neguinho também só quer saber de filme em shopping
(Refrão)
Se o
mar do Rio tá gelado
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul
Já na Bahia nego fica den'dum útero
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul
Já na Bahia nego fica den'dum útero
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho
Neguinho
quer justiça e harmonia para se possível todo mundo
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo
Nego abre banco, igreja, sauna, escola
Nego abre os braços e a voz
Talvez seja sua vez:
Neguinho que eu falo é nós
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo
Nego abre banco, igreja, sauna, escola
Nego abre os braços e a voz
Talvez seja sua vez:
Neguinho que eu falo é nós
Rei,
rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei
não, neguinho.
domingo, 27 de maio de 2012
(...)
Volta, mais uma vez
e sempre, à imagem daquela mulher deitada no divã; ela não lhe lembrava ninguém
de sua vida de outros tempos. Não era nem amante nem esposa. Era uma criança
que ele retirava de uma cesta e que depositara na margem da sua cama. Ela havia
adormecido. Ele se ajoelhara ao seu lado. Sua respiração febril se acelerava e
ele ouviu um leve gemido. Encostou o rosto no dela e sussurrou palavras
reconfortantes enquanto ela dormia. Alguns instantes depois, sua respiração se
acalmou e seu rosto se levantou maquinalmente em direção ao dele. Sentiu nos lábios
o cheiro um pouco acre da febre e o aspirou como se quisesse se impregnar da
intimidade do corpo dela. Imaginou então que fazia muitos anos que ela estava
na sua casa e que morria. De repente, pareceu-lhe evidente que não sobreviveria
à morte dela. Deitou-se ao lado para morrer com ela. Movido por essa visão,
enfiou o rosto no travesseiro, junto ao dela, e assim ficou por muito tempo.
Agora, Tomas está
de pé à janela e relembra esse instante. O que se revela assim, senão o amor?
Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Por Que Ainda Estou Acordado?
Eu não
sei de mim.
E nem
porque ainda estou aqui acordado
Chorando
pelo leite que derramou.
Me faço
perguntas,
Infelizmente
não sei responder
É difícil
colocar a vida em uma balança
Não sei
nem se é possível
De onde
vem a calma que não me deixa enlouquecer?
E a
lagrima que não desce para me aliviar?
Pelo que
vejo não se mede nem as palavras
Quanto mais
pesar a vida.
Mas
ainda lhe peço uma coisa:
Me deixe
sonhar,
Deixe-me
acreditar que ainda posso viver.
Pablo Vinícius.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Nega a Vida e Abraça a Morte.
Posso ser qualquer coisa,
posso até não ser nada...
Mas o que sou ou deixo de ser
sou com orgulho.
Queria agora dizer o que sinto,
mas dei minha liberdade...
e estou preso dentro do meu eu...
Sim, sou sensível, sou sentimental.
Sim, sou poeta, sou artista.
E tenho sim muitos sonhos,
um deles é ser quem sou.
Meus olhos são meus contatos com o mundo,
e sou poeta, não porque escrevo poesia,
mas porque sei ver a beleza que me cerca.
Fechar meus olhos é negar a vida
e abraçar a morte...
Pablo Vinícius.
Pablo Vinícius.
Pablo Vinícius.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Esperando Aviões.
Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito
Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões
Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações.
Vander Lee.
Vander Lee.
Vander Lee.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Sobre o Pensar.
(...) Um outro é pensar: e verifico aqui que o
pensamento é um atributo que me pertence; só ele não pode ser separado de mim. Eu sou, eu existo: isto é certo; mas por
quanto tempo? A saber, por todo o tempo em que eu penso; pois poderia, talvez,
ocorrer que, se eu deixasse de pensar, deixaria ao mesmo tempo de ser ou de
existir. (...)
Descartes.
Descartes:
Meditações: parágrafo 7.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Sobre o que Duvidar.
“Tudo o que recebi, até presentemente, como o mais
verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos: ora,
experimentei algumas vezes que esse sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca
se fiar em quem já nos enganou uma
vez.”
Descartes.
Descartes:
Meditação Primeira. Parágrafo 3.
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