segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Rabiscos XXXIV

Na medida das eternidades
O teu silêncio
Eu não tive como medir no tempo


Pablo Vinícius de Oliveira
07/12/2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O álcool e a tua lembrança

Embriago-me para te escrever um poema
O álcool potencializa o meu sentimento
Que sem poder se alimentar
Tende a morrer desnutrido

Transcendo a realidade
E tento encontrar um mundo distante
Quanto mais as garrafas se esvaziam 
Mais teu nome surge por entre as coisas

O bar é meu lugar de lembranças
Eu bebo para não te esquecer
Para ter por quem escrever
Para encontrar a paz que eu não tenho


Pablo Vinicius de Oliveira
04/12/2014 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A invasão do castelo

De minha vida
Fiz um castelo
Com uma muralha enorme
E um fosso para dificultar a entrada
Pus uma torre em cada extremidade

Assim me vi protegido
Não era possível que alguém
Sem que tivesse minha autorização
Pudesse invadir aquele local

Sendo assim, descansei

Veio você, enquanto caminhava
E com uma mera distração
Invadiu meu reino

E mesmo se dragões eu tivesse
Nada poderia ter feito

Você sem jeito me olhou
Desculpou-se
Eu já não tinha o que fazer

Quis partir
Pedi que me levasse junto

Eu já não tinha um reino
Tinha o mundo inteiro

Neste dia a praia e o mar
Foram pequenos para nós

Não existe defesa forte o suficiente
Quando não se tem inimigo


Pablo Vinícius de Oliveira
03/12/2014

quando me encontrarem...

entenderão que fui saudade
vontade e falta

aqueles que me viram
ignoraram
quem mais além de mim
pode se interessar?

da saudade sou praticante assíduo
das ausências eu conheço tudo
até as faltas mais graves

dos espaços  
eu tenho um coração vazio
quilômetros de terras devastadas
latifúndios inteiros

nada me invade
a não ser meu próprio pensamento
o próprio estado de ausência

a barba cresce
para que alguma coisa fique
e mude
nessa falta toda

e assim como o sentimento de falta
esta poesia não tem começo
muito menos terá um fim


Pablo Vinícius de Oliveira
03/12/2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rabiscos XXXIII

Escrevemos para matar nas palavras
algo que nos mata
Escrevo porque tenho necessidade
de não morrer.


Pablo Vinícius de Oliveira
01/12/2014

Rabiscos XXXII

Parei de procurar o amor
Hoje em dia procuro apenas o teu sorriso
Acho que eles se parecem

Pablo Vinícius de Oliveira
01/12/2014

sábado, 29 de novembro de 2014

Uma lembrança lírica

Caminhávamos pela estrada de terra batida e pedregulhos
Você olhava os bichos e as plantas ainda verdes
Eu apenas te olhava

O Sol era claro, pouco menos do que nossos olhos poderiam resistir
Os sons eram cânticos, a natureza se fazia presente sem maiores ressentimentos
Pouco se ouvia do som da cidade, um ruído ao longe, um murmuro trago pelo vento

Era manhã de sábado, e deveríamos ter acordado com o sol em fúria
Mas subvertemos as vontades do sono e da preguiça e pulamos logo cedo
O dia ainda estava frio, ainda assim não teve quem te segurasse

Naquela hora o astro rei já se impunha soberano
Mesmo assim você pedalava lenta, desatenta do caminho
E atenta demais pelo que se passava em volta

Uma verdadeira desbravadora oriunda do litoral em pleno semiárido
Mesmo com o sol radiante o dia estava apenas começando
Os pássaros ainda cantavam e teus olhos eram câmeras fotográficas, nada escapava

Você viu a água que acumulada das poucas chuvas dava uma cara nova àquele ambiente
Parou, desceu, correu, eu te acompanhava como um pai que cuida do filho extasiado
Nunca vi tanta energia numa pessoa que não tinha mais 10 anos, mais que o dobro, diria

Rapidamente você apanhava as pedrinhas do chão e as arremessava na água
E ficava ali a observar o ricocheteado delas pela superfície da água até afundarem
Duas, três vezes, era puro encanto infantil na descoberta das coisas simples

Enquanto eu te observava sentado sobre o lajedo à sombra de grandes árvores
Você me chamava para te olhar de perto e eu apressado atendia ao teu pedido
Não havia como negar o pedido para observar de perto o encantamento

Contudo, eu acordei, olhei dos lados e daquela história ficou apenas minha vontade
Eu acordava na cidade litorânea, o seu paradeiro eu desconhecia
Não dormi mais, aquela lembrança me perturbou o dia todo

Eu só conseguia questionar o tempo: quando tão bela lembrança
Iria fazer parte de minha vida como um acontecimento lírico
Em plena modernidade do séc. XXI?


Pablo Vinícius de Oliveira
29/11/2014

Rabiscos XXXI

Sobre as coisas eternas:
Guardei-te em meus versos

Pablo Vinícius de Oliveira
29/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A violência de um silêncio

O silêncio é o vazio
É difícil pensar o vazio como algo
O vazio do silêncio pode ser muita coisa
Uma das principais é ser violento

O mundo todo procura 43 estudantes desaparecidos
O Governo Mexicano silencia
Neste silêncio estão presentes
Tudo que foi praticado contra os desaparecidos
E a conveniência assassina do governo
Para este silêncio a voz indignada das ruas

O som de uma explosão nuclear
Atinge 480 km de distancia
O quão devastador não é essa explosão?
Mas penso no silêncio depois dela
Em todas as vozes que foram caladas
E na eternidade que este silêncio se tornou
Imagino a única voz que não silenciou dizendo:
“Meu Deus, o que foi que nós fizemos?”

O filho que olha para o pai
E na pura inocência pede aquilo que não tem
 – Pai, estou com fome!
Não há nada mais para ser dito entre os dois
Neste silêncio ouço apenas o choro interno
De uma alma incapaz

O silêncio poético das palavras que se calam nas folhas de um caderno
O silencio das inúmeras tentativas de se conversar
A eternidade entre o “oi” e a resposta
O silêncio da voz e o barulho ensurdecedor de um coração
O silêncio da falta das palavras, das minhas e das suas.


Pablo Vinícius de Oliveira
26/11/2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Rabiscos XXX

I
Hoje fazem dois dias que não falo com você
E parece uma eternidade para mim

Me surpreende como a eternidade também pode ser pequena.


II
Tenho procurado medir as eternidades
A de não falar com você já fazem dois dias

E continua aumentando.


Pablo Vinícius de Oliveira
24/11/2014

Rabiscos XXIX

Toda vez que ela sorri
Só vejo pássaros
Uma revoada deles saindo de teu sorriso

Não negue a estes pássaros a liberdade.

Pablo Vinícius de Oliveira
23/11/2014

domingo, 23 de novembro de 2014

Rabiscos XXVIII

Se teu coração é mesmo
Um forte intransponível
Eu não irei forçar a entrada

Entrarei acompanhado
E com você de mãos dadas.


Pablo Vinícius de Oliveira
23/11/2014

Eu poderia esquecer você

Eu poderia esquecer você
E ser uma pessoa mais inteligente
Estar dentro dos padrões dessa sociedade
Dar uns beijos por aí
E voltar pra casa sem saber o nome

Ser muito mais isso
Essa coisa do nunca se apegar
Imagina, eu sairia
Ficava com quantas conseguisse
Aquela coisa louca do momento

Porque, sinceramente,
Está difícil aguentar essa saudade
A vontade de olhar teu rosto
De te deitar no colo
De passar a mão nos teus cabelos

Tá difícil fazer alguma coisa
Enquanto a ansiedade de uma única palavra
Te acompanha o dia todo
Poderia ser um oi, meu nome, bom dia
Mas até agora tem sido apenas silêncio

Eu poderia ser inteligente e esquecer isso
Seguir esse padrão das coisas liquidas
Eu seria muito mais sociável e popular
Mas eu não sei ser outra coisa
A não ser eu mesmo.


Pablo Vinícius de Oliveira
23/11/2014