quinta-feira, 25 de junho de 2015

São Paulo II

qualquer caminho que eu faça
linha azul em direção a praza da sé
São Bernardo/Jabaquara
sempre acho um caminho triste
quase tudo existe no asfalto da cidade
mas não são teus braços que me esperam
no fim das linhas cruzadas do metrô

a chuva que não molha
os prédios para os carros
ou mesmo as pessoas
que moram nas ruas
qualquer coisa acho
no concreto de Pão Paulo
mas não são qualquer coisa os teus olhos.
de noite de estrela
que me guardam a luz do dia
ou a pele pintada
de constelações e galáxias
onde ligo os pontos
com a ponta dos dedos

tudo aqui me leva para o nada
de nada em nada não vejo a hora
de voar de volta para tuas asas que me guardam


Pablo Vinícius de Oliveira
01/06/2015

São Paulo I

São Paulo, tuas varias facetas
teu jeito fácil de juntar
as coisas diversas
você é muitos sendo apenas um
transforma em seu aquilo que não criou
o encanto de ao cantar Caetano
atravessar a São João com a Ipiranga

nem isso me faz esquecer a cidade do Sol
nada que você me der
será melhor do que o que me espera
o seu tudo, São Paulo, é meu nada
teu céu não tem aqueles olhos
de noite estrelada.


Pablo Vinicius de Oliveira
31/05/2015 
Quando o 10/29
aponta na rua do inferno
as 10h15min da noite
sempre acho que teus cabelos esvoaçados
vão descer da porta de trás
da lata de sardinhas gigante
libertando-se do emaranhado
de mãos para o alto e pés que se pisam
para prender-se no entrelaçado
dos meus dedos de minha mão pequena
por vezes erro e tenho que ir para casa
contentar-me com letras que se comunicam por uma tela
quando estou certo
também sei que esperar valeu a pena


Pablo Vinícius de Oliveira
26/05/2015

Mar e Sertão

O mar estende-se por todos os continentes
a imensidão de água sem fim
de tantos mares, de tantos lugares
que muda com a lua

o sertão é forte
tem sede de tanta coisa
mas nunca se entrega a falta
se preciso for, parte, mas volta

em algum lugar do planeta
os dois se encontram
e mesmo sem perceber
tem muito mais em comum
do que imaginam


Pablo Vinícius de Oliveira
**/05/2015

sábado, 23 de maio de 2015

Rabiscos XLIX

Das poucas coisas que sei
a que tenho mais certeza
é que não consigo ficar longe de você.



Pablo Vinícius de Oliveira
23/05/2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O nome da poesia

Quando termino um poema
sempre caio em um grande problema:
que título deve levar aquele escrito?
por vezes não sei e termino
por não dar título algum 

diferente disso
minha maior poesia 
também não tem titulo
tem nome, 
Albéria é o nome dela

Pablo Vinícius de Oliveira 

22/05/2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A morte da juventude

De todas os sonhos que um dia tive
poucos cultivei quando enterrei
e fechei com pedras de mármore
a juventude que tinha

das coisas mais belas
que vi quando vivi
ou mesmo quando fechei os olhos
da juventude eu lembro em todas

quando, mesmo sem querer
a enterrei
em sua lapide escrevi
ao menos para lembrar
que um dia me encantei

"levo comigo o que de te sobrou:
tua lembrança."


Pablo Vinícius de Oliveira
20/05/2015

Por inveja

Quão seco é este mundo
que te adoece
te irrita os olhos
tão cheios de chuva e sol
ferve teu corpo
e não serve para te prazer?

Quão cruel é este mundo
que nos separa
nos deixa longe
no primeiro mês de estrada
e me põe uma barreira na razão

Por pura inveja
o mundo te adoeceu
quis impedir que fossemos
o contra ponto a tanta guerra e miséria.

Mas se me distancio do teu corpo
levo com você minha alma
e pinto de cor e lirismo
as vias cinzas por onde passo.


Pablo Vinícius de Oliveira
16/05/2015

Rabiscos XLVIII

A noite quando juntos
chovemos
inundam-me os dedos


Pablo Vinícius de Oliveira
11/05/2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Uma rosa nunca é só uma rosa

Uma rosa nunca é só uma rosa
não se ela é dada por um poeta
e principalmente se quem a recebe
for toda poesia
Ela carrega em suas pétalas vermelhas
o que não é dito por palavras
as entrelinhas do poema
o que é expresso no olhar
quando os olhos se cruzam
A rosa é o sentido dos astros
talvez numa destas estrelas seja teu lar
por isso deito sob a noite
a ver a constelação do teu sorriso
meu contrato de responsabilidade
e minha volta garantida
já que criamos laços em nós

Uma rosa nunca é só uma rosa
não quando o poeta a dar a sua musa.



Pablo Vinícius de Oliveira
10/05/2015

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Exagero

Se com você fui só exagero
é porque é isso que sei ser de melhor

exagerado

talvez abrisse oceanos
se isso poderes fosse

mas tudo que consigo abrir
é uma porta quando não esqueço a chave
ou meu coração afoito e louco
para você fazer morada

contudo, perdoe-me a insensatez
o desequilíbrio que me faz cair da vida
os passos tortos que dei
no caminho de te encontrar

perdoe este jovem que não aprendeu a sentir

mas que quis dizer aos ventos
que achou motivo para sorrir


Pablo Vinícius de Oliveira
05/05/2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Desvendar

Quando meu corpo atinge o verão
É sinal de que próximo estou
De lavar minhas mãos
Em tuas nascentes

De lá por entre as tuas clareiras
Eu mesmo traço o caminho do rio
Contando de norte a sul as terras que desvendo

Atravesso as pontes
E dos teus montes
Vejo o céu do desejo

No final de minha jornada
Quando no ápice do caminho percorrido
Eu encontro os sons da volúpia

Em um momento divino
Meus dedos contornam os limites do céu e da terra
Tocando como que de perto
Os horizontes das terras descobertas


Pablo Vinícius de Oliveira
30/04/2015

O mar não descansa.

Há mar
e ele não tira folga
é um trabalhador sem férias
imensidão incansável
constante ir e vir

Teus olhos
são imensidão sem fim
são faróis a beira mar a brilhar
e chamam e direcionam
o meu olhar na tua
direção  

Se há mar
ele não cansa
me pega e balança
me joga de lá para cá
o barco em que navego
ancorei no teu sorriso
e fiz morada

foi nas tuas ondas
que perdi minha direção
na infinitude do mar dos teus olhos
eu mergulhei de antemão

não precisei voltar
de ninguém para ser salvo
e se o mar gigante não descansa
por que eu na minha insignificância
tiraria meus olhos do infinito
dos teus?


Pablo Vinícius de Oliveira
Albéria Claudino
25/04/2015